Fundos imobiliários conquistam investidores

Fundos imobiliários conquistam investidores

  • 30/06/2018 10:06
  • Redação/Assessoria

Eles são imunes à queda de rentabilidade gerada pela taxa básica de juros decrescente e favorecidos com altas nos índices de inflação. Apesar desses fatores, os fundos de investimentos imobiliários (FII) movimentaram perto de R$ 1 bilhão em bolsa no Brasil durante todo o ano passado, enquanto a média de compra e venda de ações supera em cerca de sete vezes esse montante num único dia. O cenário, porém, não é pessimista para a modalidade. Especialistas apontam que esses fundos devem ganhar gradativamente mais investidores, já que apresentam uma rentabilidade diferenciada em um momento em que a renda fixa dá cada vez menos retorno para quem deseja multiplicar seu capital e em que a renda variável é permeada por instabilidade em função das turbulências externas.

 

Nascidos no Brasil em 1993 com a chancela da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os fundos imobiliários atuam em diferentes frentes ligadas a negócios do setor. Formados por cotas que são adquiridas pelos investidores, é uma modalidade que não permite o resgate imediato do valor investido, como acontece com a poupança. A aplicação só pode ser reavida por meio de  negociação em bolsa de valores. O primeiro fundo imobiliário instalado no mercado brasileiro foi o Memorial Office, criado em 1994 para possibilitar a construção do Edifício Memorial Office Building, em São Paulo. Até agosto deste ano, o fundo pioneiro ostentava a maior rentabilidade dentre os 83 atualmente listados na BM&FBovespa, com 76,68% de valorização, segundo levantamento da Fundo Imobiliário Consultoria de Investimentos.  

 

O sócio da Monte Bravo Investimentos Filipe Portella explica que, ao comprar uma cota de fundo imobiliário, o investidor precisa ter em mente que não está adquirindo meramente um papel, mas parte de um imóvel, como em qualquer negócio tradicional do ramo. Entre as diferenças, está o fato de haver um gestor por trás do investimento, que ajuda na escolha dos melhores ativos, ou seja, imóveis, para composição de um fundo. “Na verdade, o fundo é um veículo, pois o investidor compra mesmo é o imóvel”, diz Portella. “Se o imóvel administrado pelo fundo for vendido, ele recebe sua parte proporcional à cota que tem, assim como se houver algum problema, os membros do fundo terão que arcar com o prejuízo”, completa. O empresário acrescenta que a garantia para os cotistas é o próprio imóvel vinculado ao fundo.

 

Uma das vantagens atribuídas a esse tipo de transação é que, diferentemente de quando opta por comprar um imóvel e se rentabilizar com seu aluguel ou valorização, o investidor não precisa gerir as responsabilidades cotidianas que um apartamento ou casa impõem. Registro de imóveis, cuidados com o patrimônio, reformas, pagamento de tributos na prefeitura e outras questões típicas do negócio imobiliário ficam longe das preocupações dos cotistas. “Para o pequeno investidor é muito melhor, pois ele foge da burocracia de cartório, registro e de ficar atrelado a um único imóvel com um alto valor, pois nos fundos ele consegue se posicionar em uma aplicação de qualidade altíssima com R$ 1.000,00, valor inviável para quem quer investir no modelo tradicional”, exemplifica Portella. 

 

Imóveis residenciais, comerciais, shopping centers, hospitais e hotéis. São diversos os segmentos que podem ter sua estrutura imobiliária financiada ou explorada com o capital angariado pelos fundos.  O agente autônomo de investimentos e especialista em fundos imobiliário Arthur Vieira de Moraes afirma que as aplicações mais comuns, portanto com o maior volume de fundos em operação hoje, são aquelas voltadas a novas incorporações imobiliárias, à renda mensal através de aluguel de salas comerciais e os focadas na administração de galpões de logística. 

 

  • Fonte: Jornal do Cmomércio